A rotina é um bicho traiçoeiro que aos poucos vai entrando e devorando sua vida. Sua e das pessoas que te circundam. Ela devora os olhos também, pois, uma vez dentro de você, impede que as outras coisas sejam vistas. Tudo conspira para que um dia seja semelhante ao outro, tirando uma ou duas coisas diferentes.
E quando se tenta nadar contra a maré, logo se é convencido de que não é possível. “Utópico”, dirão os defensores mais ferrenhos deste modo de vida. Aqueles mesmos que dia após dia dizem que precisam mudar de vida, que precisam sair do vermelho, mas não experimentam nada de novo porque estão “poupando” para o amanhã.
Mas que amanhã? A única certeza que se tem é a de que amanhã eles vão levantar e fazer tudo de novo. Até as reclamações serão as mesmas. Assim, eles podem adiar para sempre o dia em que vão mudar de vida.
E não adianta tentar correr; um dia ela chega e te enquadrada. Está tudo bem arquitetado para que você não consiga sair dela. Se você tem tempo, o outro não tem. E assim a vida segue.
Até o novo vai se acomodando à sua forma, como aquele sofá velho. E não adianta lutar: são muitas pessoas jogando no outro time.