Todos sustentamos pequenos vícios para viver mais facilmente. O futebol de quarta-feira é um vício, encontrar o namorado é um vício, a novelinha de todos os dias é um vício. Fumar é um vício. Beber é um vício. Cheirar cocaína é um vício. Matar também pode ser.

Alexander Pichushkin, o “maníaco do parque” russo, também conhecido como “assassino do tabuleiro de xadrez”, era um funcionário de supermercado regular. Como todos nós, também precisava de pequenos prazeres para tornar sua vida mais fácil, como beber uma vodca, por exemplo.

Em um belo dia, durante uma conversa com seu amigo, surgiu um assunto peculiar, talvez entre um cigarro e outro, uma vodca e outra: matar. Como seria matar alguém? Qual seria a sensação? Vamos ver como é? O amigo negou. Não havia saída. Para matar a curiosidade, Alexander matou o amigo. Foi uma sensação única. “Como o primeiro amor, inesquecível”, disse o russo. Desde então, foram mais de 50 mortes, todas intensamente prazerosas.

Pichushkin provou assim que os vícios realmente têm o poder de destruir vidas.

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Para ler mais sobre o assassino do xadrez, clique aqui.

A rotina é um bicho traiçoeiro que aos poucos vai entrando e devorando sua vida. Sua e das pessoas que te circundam. Ela devora os olhos também, pois, uma vez dentro de você, impede que as outras coisas sejam vistas. Tudo conspira para que um dia seja semelhante ao outro, tirando uma ou duas coisas diferentes.

E quando se tenta nadar contra a maré, logo se é convencido de que não é possível. “Utópico”, dirão os defensores mais ferrenhos deste modo de vida. Aqueles mesmos que dia após dia dizem que precisam mudar de vida, que precisam sair do vermelho, mas não experimentam nada de novo porque estão “poupando” para o amanhã.

Mas que amanhã? A única certeza que se tem é a de que amanhã eles vão levantar e fazer tudo de novo. Até as reclamações serão as mesmas. Assim, eles podem adiar para sempre o dia em que vão mudar de vida.

E não adianta tentar correr; um dia ela chega e te enquadrada. Está tudo bem arquitetado para que você não consiga sair dela. Se você tem tempo, o outro não tem. E assim a vida segue.

Até o novo vai se acomodando à sua forma, como aquele sofá velho. E não adianta lutar: são muitas pessoas jogando no outro time.

Acorda e faz tudo de novo.

Acorda e faz tudo de novo.

De novo e de novo.

Mais um dia sem nada de novo.

Cláudio Antenor pegou seu cafezinho, jogou conversa fora no corredor e sentou-se na frente de seu computador, como sempre. E, como sempre, abriu sua aba de favoritos e começou a visitar os sites em buscas das atualizações do dia. Passado um, dois, três sites ou mais, percebeu algo estarrecedor, que nunca havia percebido antes:

- Puta que o pariu, eu só tenho site de bundão.

O que havia acontecido na vida de Cláudio? Por que havia se interessado por esses sites sem nunca ter percebido isto?

Desesperado, Cláudio começou a analisar sua vida. Ele, um cara que sempre se julgara descolado, de repente se deparava com uma realidade que não podia ser calada. Todos os sites que gostava, eram de bundão.

Quando foi que ele tinha mudado? Como poderia ter achado aquele texto mela cueca algo tão profundo? E aquele outro de piada? Meus deus, as piadas eram tão óbvias que agora Cláudio corava só de lembrar das coisas que havia indicado aos amigos.

Lembrou-se então que outro dia mesmo tinha dado risada de um Power Point que encaminharam para ele na firma.

Cláudio suava, estava desesperado. Percebeu que algo de muito errado havia acontecido. Desnorteado, fechou o Explorer e desligou o computador. Caminhou firme e velozmente para fora do escritório, tentando esconder o nervosismo. Afrouxou a gravata. Apoiou as mãos nos joelhos e respirou fundo.

Neste momento, Claudinho, como era conhecido, decidiu que iria mudar de perfil, drasticamente.

Fez uma tatuagem. Voltou a fumar. Comprou uma moto e trocou de namorada.

Todos começaram a comentar o novo estilo do rapaz. Como Claudinho havia ficado descolado, como os links dele eram os mais legais.

Mas, de tempos em tempos, percebia, com uma certa agonia, uma abinha aberta no seu Chrome. E ali morava a verdade que não queria calar. Nela, estava escrito: Kibeloco.

Dedos coçando, vontade de escrever. pernas coçando, vontade de correr, de sair, e de um monte de outras coisas também.

Mas estou em casa, pelo segundo dia consecutivo. E ao contrário do que aqueles que me aconselham a dar uma pausa dizem, eu não me sinto relaxada, com “vontade de ficar em casa assistindo tv”. Isso é o que todo mundo diz quando tá chovendo, quando é domingo, quando trabalhou demais. Aquele velho blablablá.

Qual a vantagem de trabalhar muito e ir pra casa? Terminar de desperdiçar o resto do seu dia? Por que não sair, ver coisas, fazer coisas? Sabe, participar do mundo de vez em quando.

Ficar em casa só me lembrou pq eu nunca fico parada. Vontade de viver.

Tô mudando o template do blog.

Acho que o outro era muito introspectivo. Funcionava para meus textos mas acredito que ele também os influenciava. O blog tava com uma cara triste.

Fazia sentido o layout na época em que montei o blog: trabalhava num lugar que detestava, minha vida estava uma bagunça, minha cabeça também, tudo correria, falta de tempo e dinheiro… enfim, fazia sentido.

Agora não faz mais. Agora me sinto mais como esse novo template, um capinzinho crescendo. Natureza, leveza e ainda amadurecimento. Uma imagem serena para uma cabeça (nem sempre) serena. É isso aí.

Algo muito recorrente na vida de muitas pessoas que as impedem de fazer o que desejam anda me assombrando: o medo de falhar.

Não de falhar na vida, socialmente ou algo assim. Disso eu não tenho medo, tanto é que costumo me jogar e prefiro quebrar a cara a não fazer (óbvio que em certos níveis).

O medo que tem me assombrado é o de falhar em algo que eu julgo ser boa, que é escrever. Escrevo ideias e ideias em um caderno e não as executo; viro a folha. Parece que as ideias não são boas o bastante para aquilo que eu quero fazer. Parece que eu estou desperdiçando munição. Cada vírgula, cada palavra… às vezes me vem o sentimento de quem nem vale a pena levar a ideia a diante. E eu desisto sem tentar…

Ruim, não?! Meus personagens parecem não querer ganhar vida, só consigo escrever isso aqui, coisas sobre mim ou pequenos pensamentos, as histórias com vidas que eu mesma inventei nunca vêm a tona…

Pelo menos esse medo só se aplica a arte, não à vida. Não é como o daquelas pessoas que preferem ficar em casa pensando no que as aguarda ao invés de viver o presente. Aquelas que, ao invés de serem impedidas por seus personagens – como eu -, preferem pensar que são personagens de uma história que, às vezes, nunca virá a acontecer.

Às vezes não sei se te agradeço ou se te odeio. Ao mesmo tempo que me tirou o sentimento de paixão, me devolveu ao bolo de emoções que eu sou. Ontem, dormi chorando. Hoje, já voltei a ver beleza em tudo no mundo.

Ultimamente eu venho tentando alongar meus textos. Sabe, eu quero um dia escrever um romance. Mas é como eu expliquei no Ato Sexual do Escritor: o texto sabe onde deve parar. Ele simplesmente pára, chega uma hora que não tem mais fôlego… E alongar começa a ser descaracterizar.
Às vezes eu simplesmente ainda não estou pronta.

Durante uma coletiva de imprensa, o governador estava atarefado. Apressado e sem tempo para nada, de repente ouviu um pedido:

- Sr. governador, por favor, desenha um hipopótamo pra mim?

Ele estranhou. Como assim, um homem tão sério como ele receber um pedido assim tão sem cabimento? Onde já se viu governador desenhar hipopótamo?

Foi então que parou para pensar e percebeu que não sabia desenhar um hipopótamo. Por isso mesmo, aceitou o desafio.

Pegou a folha de papel meio sem jeito, empunhou sua mont-blanc ainda mais sem jeito e rabiscou na folha. – Não sei desenhar um hipopótamo –, disse, sério, ao rapaz que fez o pedido inusitado.

Entregou o papel ao jovem, que foi embora feliz com o rabisco que deveria ser um hipopótamo. Mas o governador não conseguiu esquecer aquele acontecimento improvável.

Voltou para casa. Tentou se concentrar em suas tarefas, mas de tempo em tempo pensava no ocorrido. “Como assim, fazer um hipopótamo? Um governador, como eu, desenhando hipopótamo. Humpf”. Mesmo desdenhando o fato, algo o incomodava. Ele realmente não sabia desenhar.

Sentou-se em sua escrivaninha de mogno e pôs-se a desenhar. Desenhou sem parar. Rabiscava e jogava a folha no lixo. “Não, isso não é um hipopótamo”. Passou a noite em claro. Ele tinha um cargo tão importante, era um homem tão sério. Era um governador. Mas seus hipopótamos insistiam em sair parecidos com dois balões de criança.

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O que inspirou esse post foi o desenho de um hipopótamo que Geraldo Alckmin fez para o blog http://hipopotamozine.blogspot.com/