Estou sentada na cadeira. A tela branca do monitor me encara, dura. Não sei se consigo vencê-la. Melhor me preparar. Arial, 1,5 de espaçamento. Ok, tudo prontinho. Agora é só começar. Mas começar o quê?

Cada palavra é uma conquista. Sobre o que escrever? Mas qual o jeito certo? Será que essa frase ficou boa? E essa metáfora? É inteligente? Convincente? Ou melhor, talvez comovente? Será que vão entender?

O ato de escrever é natural ao ser humano. É como sexo. Do nada, vem aquela vontade. Aí, a mão entra em um ritmo louco, acompanhando o fluxo rápido do pensamento, que por sua vez acompanha as sensações e os impulsos. Tenho que escrever, escrever, escrever, vai, vai, vai, vai! Aaahhh…

De repente, o ritmo muda. Os movimentos ficam mais lentos, mais preguiçosos… as mãos não se mexem mais como se tivessem vida própria, os pensamentos não escapam mais ao controle. Não adianta forçar, o escritor já gozou. “Foi bom pra você?”. Não sei. Só vou saber mesmo na manhã seguinte, quando estiver tudo às claras. Agora é hora de dar boa noite e dormir.