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Durante uma coletiva de imprensa, o governador estava atarefado. Apressado e sem tempo para nada, de repente ouviu um pedido:
- Sr. governador, por favor, desenha um hipopótamo pra mim?
Ele estranhou. Como assim, um homem tão sério como ele receber um pedido assim tão sem cabimento? Onde já se viu governador desenhar hipopótamo?
Foi então que parou para pensar e percebeu que não sabia desenhar um hipopótamo. Por isso mesmo, aceitou o desafio.
Pegou a folha de papel meio sem jeito, empunhou sua mont-blanc ainda mais sem jeito e rabiscou na folha. – Não sei desenhar um hipopótamo –, disse, sério, ao rapaz que fez o pedido inusitado.
Entregou o papel ao jovem, que foi embora feliz com o rabisco que deveria ser um hipopótamo. Mas o governador não conseguiu esquecer aquele acontecimento improvável.
Voltou para casa. Tentou se concentrar em suas tarefas, mas de tempo em tempo pensava no ocorrido. “Como assim, fazer um hipopótamo? Um governador, como eu, desenhando hipopótamo. Humpf”. Mesmo desdenhando o fato, algo o incomodava. Ele realmente não sabia desenhar.
Sentou-se em sua escrivaninha de mogno e pôs-se a desenhar. Desenhou sem parar. Rabiscava e jogava a folha no lixo. “Não, isso não é um hipopótamo”. Passou a noite em claro. Ele tinha um cargo tão importante, era um homem tão sério. Era um governador. Mas seus hipopótamos insistiam em sair parecidos com dois balões de criança.
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O que inspirou esse post foi o desenho de um hipopótamo que Geraldo Alckmin fez para o blog http://hipopotamozine.blogspot.com/
Existem pessoas que são fáceis de lidar. Elas não se posicionam nem muito contra, nem a favor. Têm sorriso fácil e em pouco tempo de conversa já é possível decifrá-las.
Existem também as outras pessoas. Aquelas mais complicadas, que possuem um buraco dentro de si tão grande que parece sugar tudo em volta.
Mariana era assim, uma das outras pessoas. Ao mesmo tempo que mordia minha boca de maneira apaixonada, me puxava de um jeito tão forte para si que parecia que ela queria que eu mergulhasse naquela imensidão negra.
Ela possuía um mundo dentro de si. Parecia sempre me pedir para que eu entrasse nele e tentasse entender todas as coisas que estavam ali. Mas essa imensidão não era um buraco negro, que engole e destrói tudo. Era apenas alguma coisa profunda, que se refletia em seus olhos e acabava se esparramando também pelos seus gestos e modos. Ela era imã. Atraía as pessoas, mas algumas não sabiam bem o que fazer com aquela atração.
Mariana era mais do que mostrava. Era mais do que sabia e mais do que podia entender. E por isso precisava de alguém que mergulhasse nela. Por isso que me pedia, entre gemidos, todas as noites:
- Não me deixe, não me deixe.
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Tentei escrever como um homem mas acho que não rolou.
Esse blog aqui demora para ser atualizado porque o processo para criação de textos é mais lento… Tenho que esperar a inspiração chegar para postar algo legal, e todo mundo sabe que a Inspiração não é lá muito generosa…
Então, resolvi criar outro blog, só de crônicas. Quem quiser conferir, vai lá.
