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Dedos coçando, vontade de escrever. pernas coçando, vontade de correr, de sair, e de um monte de outras coisas também.

Mas estou em casa, pelo segundo dia consecutivo. E ao contrário do que aqueles que me aconselham a dar uma pausa dizem, eu não me sinto relaxada, com “vontade de ficar em casa assistindo tv”. Isso é o que todo mundo diz quando tá chovendo, quando é domingo, quando trabalhou demais. Aquele velho blablablá.

Qual a vantagem de trabalhar muito e ir pra casa? Terminar de desperdiçar o resto do seu dia? Por que não sair, ver coisas, fazer coisas? Sabe, participar do mundo de vez em quando.

Ficar em casa só me lembrou pq eu nunca fico parada. Vontade de viver.

Tô mudando o template do blog.

Acho que o outro era muito introspectivo. Funcionava para meus textos mas acredito que ele também os influenciava. O blog tava com uma cara triste.

Fazia sentido o layout na época em que montei o blog: trabalhava num lugar que detestava, minha vida estava uma bagunça, minha cabeça também, tudo correria, falta de tempo e dinheiro… enfim, fazia sentido.

Agora não faz mais. Agora me sinto mais como esse novo template, um capinzinho crescendo. Natureza, leveza e ainda amadurecimento. Uma imagem serena para uma cabeça (nem sempre) serena. É isso aí.

Algo muito recorrente na vida de muitas pessoas que as impedem de fazer o que desejam anda me assombrando: o medo de falhar.

Não de falhar na vida, socialmente ou algo assim. Disso eu não tenho medo, tanto é que costumo me jogar e prefiro quebrar a cara a não fazer (óbvio que em certos níveis).

O medo que tem me assombrado é o de falhar em algo que eu julgo ser boa, que é escrever. Escrevo ideias e ideias em um caderno e não as executo; viro a folha. Parece que as ideias não são boas o bastante para aquilo que eu quero fazer. Parece que eu estou desperdiçando munição. Cada vírgula, cada palavra… às vezes me vem o sentimento de quem nem vale a pena levar a ideia a diante. E eu desisto sem tentar…

Ruim, não?! Meus personagens parecem não querer ganhar vida, só consigo escrever isso aqui, coisas sobre mim ou pequenos pensamentos, as histórias com vidas que eu mesma inventei nunca vêm a tona…

Pelo menos esse medo só se aplica a arte, não à vida. Não é como o daquelas pessoas que preferem ficar em casa pensando no que as aguarda ao invés de viver o presente. Aquelas que, ao invés de serem impedidas por seus personagens – como eu -, preferem pensar que são personagens de uma história que, às vezes, nunca virá a acontecer.

Tudo é doce e salgado.

A condição humana é uma merda.

Se eu pudesse escolher um dom, seria desenhar.

Até que eu não sou um caso perdido, dá pra aproveitar alguma coisa do meu traço. Mas falta alma. Falta alma em tudo que faço.