O ato sexual do escritor

Estou sentada na cadeira. A tela branca do monitor me encara, dura. Não sei se consigo vencê-la. Melhor me preparar. Arial, 1,5 de espaçamento. Ok, tudo prontinho. Agora é só começar. Mas começar o quê?

Cada palavra é uma conquista. Sobre o que escrever? Mas qual o jeito certo? Será que essa frase ficou boa? E essa metáfora? É inteligente? Convincente? Ou melhor, talvez comovente? Será que vão entender?

O ato de escrever é natural ao ser humano. É como sexo. Do nada, vem aquela vontade. Aí, a mão entra em um ritmo louco, acompanhando o fluxo rápido do pensamento, que por sua vez acompanha as sensações e os impulsos. Tenho que escrever, escrever, escrever, vai, vai, vai, vai! Aaahhh…

De repente, o ritmo muda. Os movimentos ficam mais lentos, mais preguiçosos… as mãos não se mexem mais como se tivessem vida própria, os pensamentos não escapam mais ao controle. Não adianta forçar, o escritor já gozou. “Foi bom pra você?”. Não sei. Só vou saber mesmo na manhã seguinte, quando estiver tudo às claras. Agora é hora de dar boa noite e dormir.

4 pensamentos sobre “O ato sexual do escritor

  1. Cara, esta definição do ato de escrever foi a melhor que já li, digno dos grandes poetas, Nelson, Vinícius, Tom e tantos outros que eu gosto, parabéns pelo texto.
    Forte abraço. Alex

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  2. É uma excelente definição de escrita, por que escrever e “refinar” o texto, quando for o caso, só sai direito quando baixa o santo. Senão, não sai nada que presta.

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